quinta-feira, março 31, 2016

Azulejaria Guerreiro-Contrato de Qualidade Renovado

A Azulejaria Artística Guerreiro foi fundada em 1989.
The AAG- Artistic Tiles was founded in 1989.

Em 2006 o PPART- Promoção dos Ofícios e das Microempresas Artesanais (O PPART foi extinto em 30 de junho de 2015 e deu lugar ao CEARTE), reconheceu à AAG o estatuto duma Unidade Produtiva Artesanal e a Luís Cruz Guerreiro um artesão reconhecido por esse Instituto do Estado.

In 2006 the PPART- Promotion of Crafts and micro-enterprises Handcrafted recognized the AAG the status of a Productive Craft Unit and Luis Cruz Guerreiro an artisan recognized by the State Institute.











Essas certificações têm a ver com a qualidade e autenticidade dos trabalhos realizados pelo artesão, Luís Cruz Guerreiro e pela Unidade Produtiva Artesanal, situada em Alhos Vedros.





These certifications have to do with the quality and authenticity of the work of the artisan, Luis Cruz Warrior and the Artisanal Production Unit, located in Alhos Vedros.

Em 2011 o contrato foi renovado e a AAG continua o seu lema de sempre:
Para Quem Prefere a Qualidade e a Azulejaria Guerreiro prefere.

In 2011 the contract was renewed and AAG continues its motto always:
For Who Prefer Quality and AAG Artistic Tiles, prefer.



Em 3-2-2016 o CEARTE, agora responsável pela certificação dos Artesãos e das Unidades Produtivas Artesanais, renovou a certificação até 2021.

On 03/02/2016 the CEARTE now responsible for the certification of Craftsmen and Production Units Handcrafted renewed certification until 2021.


Carta de Unidade Produtiva Artesanal - Micro-Enterprises Handcrafted Recognized
nº120611


Carta de Artesão - Artisan Card
nº 110694




quinta-feira, fevereiro 25, 2016

Os painéis para a casa do Sr. Horácio / The panels for the house of Mr. Horace.

Um painel colorido com a Santa Marinha da Retorta, local onde fica situada a casa e um outro com imagens da casa bastante antigas, quem eu sugeri e foi aceite serem feitos nas cores sépia, para dar a ideia das fotos antigas.
Para ambos escolhi frisos em azul cobalto, mas completamente diferentes um do outro.

A colored panel with Santa Marinha of Retorta, where is located the house and another with very old house images, whom I suggested and was accepted to be made in sepia colors to give the idea of the old photos.
For both frames I chose cobalt blue, but they are completely different from each other.



Aconteceu que no painel "Casa da Fonte", quebraram na cozedura dois azulejos. É muito raro acontecer, mas acontece por vezes !
Esses azulejos foram refeitos e colocados no lugar dos que estavam partidos e o resultado foi muito satisfatório para mim e para o Sr. Horácio.

It happened that in the panel "Casa da Fonte", broke two cooking tiles. It very rarely happens, but it happens sometimes!
These tiles were remade and put in place of those who were broken and the result was very satisfying for me and Mr. Horace.

Painel "Casa da Fonte" embutido, já com os azulejos refeitos.
Panel "Fountain House" built in, already redone with the new tiles.



Painéis embutidos.
Inlaid panels.


























Panorâmica da Casa da Fonte                                           Fountain House Panoramic



Fases dos trabalhos, painel Casa da Fonte:
Phases of work, House of the Fountain panel:



Fases dos trabalhos, painel Santa Marinha da Retorta:
Phases of work, Santa Marinha da Retorta panel:






domingo, novembro 08, 2015

O Ciclo do Pão-Painéis para a Padaria do Tó em Alhos Vedros

O ano de 2013 deu-me o prazer de fazer um trabalho para o meu amigo Tó que tem uma padaria especializada em pão alentejano.
O pão alentejano é por si só a base de alimentação do Alentejo e o pão do Tó é dos que têm mais saída aqui na região do sul do Tejo. Eu também sou um consumidor do pão que ele faz e isso aliou-se à sua vontade de colocar dois painéis, na sua remodelada padaria, um toponímico e outro um mural com o ciclo do pão.
As cores usadas neste painel são os sépia que depois foram coloridos, para dar uma ideia das fotos antigas que eram depois coloridas à mão.

A primeira fase foi a pesquisa a estrutura do friso que eu quis que fosse solto, apenas delimitado por espigas de trigo.
A segunda fase foi a pesquisa de imagens relacionadas com o ciclo do pão que eu queria que apresentasse desde a ceifa, até ao enfornamento, passando pela sua ida para a moagem em moinho de vento. Queria também que o painel fosse situado nos princípios do séc. XX e que apresentasse dois tópicos históricos sobre a feitura do pão na Grécia antiga e no Egipto antigo, tudo isto retratando uma atmosfera romântica e bucólica... O friso seria recortado, mas solto.
Vamos lá a ver como eu resolvi isto, desde a fase de desenho até à coloração total.

*Nota: algumas cores, como o azul do céu (óxido de cobalto), são cinzentos que só depois viram azuis na cozedura.

The year 2013 gave me the pleasure of doing a artistic tiles work  for my  friend Tó, who has a specialized bakery in regional bread.
The regional bread is itself the "Alentejo" power base and Tó bread is those with more output here in the south of the Tagus region. I am also a consumer of bread he does and it has teamed up with his willingness to put two panels in its remodeled bakery, a toponymic and other a wall with the bread cycle.
The colors used in this panel are the sepia which were then colored, to give an idea of old photos which were then colored by hand.

The first phase was the search to frame structure I wanted it to be released, only delimited ears of wheat.
The second phase was the search of images related to the bread cycle I wanted to produce from the harvest until the baked, through his going to the grinding windmill. I also want the panel to be set in the early century XX  and to present two historical topics on the making of bread in ancient Greece and ancient Egypt, all depicting a romantic atmosphere and bucolic ... The frame was cut, but loose.

Let's see how I solved this, from the design phase to full color.

* Note: Some colors, such as sky blue (cobalt oxide), are gray that only then saw blue in cooking.










O meu ar de satisfação demonstra além do alívio de o painel estar finalmente terminado, que o resultado final vai corresponder às minhas expectativas :)

Os leitores podem agora comprovar se eu estava correto...

A Placa toponímica para o exterior da padaria...
Este é o filme que mostra como funciona a Padaria do Tó que faz o melhor pão alentejano da margem sul do Tejo 
Para uma melhor qualidade de vídeo nas definições escolha 720p HD

This is the movie that shows how the Tó Bakery that makes the best bread of Alentejo in south bank of the Tagus river
For better quality video select 720p HD in settings

domingo, agosto 09, 2015

O CRI fez 100 anos ! Relógio de oferta ao CRI



O CRI, Clube Recreio e Instrução de Alhos Vedros, comemorou o seu 100º Aniversário.
Esta foi a minha oferta ao Clube em 2006.
Parabéns ao CRI !



















Esta oferta pretende homenagear o CRI, pela sua elevada contribuição para o desenvolvimento cultural, artístico e desportivo da população de Alhos Vedros, através do seu historial de actividades como o Teatro, a leitura, com a implementação de uma biblioteca ainda na década de 1920 o desporto com a sua equipa de séniores que por muitos anos deu tantas alegrias e tristezas aos seus sócios e simpatizantes, no saudoso "Parque Desportivo S.Lourenço".
O CRI, merece esta oferta porque faz honrar o nome de Alhos Vedros, desde há 91 anos e esperemos que mais 91 anos se lhe sigam, nesse caminho de glória.
O relógio que agora oferto, foi trabalhado a partir de documentos de arquivo do próprio Clube e tem referências ao histórico do CRI, exibindo a imagem do seu fundador, Francisco de Azevedo, o simbolo do Teatro, o nº 0, do jornal "ORIENTE", com a declaração manuscrita dos Estatutos do CRI e uma imagem que representa as actuais escolinhas e escalões infantis de Futebol.
Espero que este meu gesto sirva apenas como um incentivo para "O CRI", grande Clube Alhos Vedrense !

Outras colectividades de Alhos Vedros, e do Concelho da Moita, estão na calha, para receberem também relógios de oferta da Azulejaria Artística Guerreiro, assim o tempo me permita, pois acho as Colectividades e Associações de Alhos Vedros e Concelho da Moita, a base Cultural mais relevante e mais próxima do Povo e por isso as Instituições mais importantes da nossa vida colectiva.

Luís Cruz Guerreiro

quinta-feira, julho 23, 2015

Festas de Alhos Vedros 2015-O Cartaz Vencedor

As Festas de Alhos Vedros acontecem sempre em finais de Julho e princípios de Agosto.

Este ano depois de uma votação online e também pessoal na sede da Comissão de Festas de Alhos Vedros e no Café Atrium em Alhos Vedros, o cartaz vencedor foi o meu.
Fico contente pelo resultado e saúdo todos os que concorreram.

The Alhos Vedros Festivity, always happen in late July and early August.

This year after an online vote and also personal vote at headquarters Alhos Vedros of the Commission and the Atrium Café in Alhos Vedros, the poster that won was mine.
I am happy for the result and I greet all those who contributed.

Luís Cruz Guerreiro


sábado, outubro 18, 2014

Mensagem na Garrafa da Fly Tap



Esta é a minha mensagem para a seleção nacional com desejos para que o velejador solitário Ricardo Diniz, tenha uma boa travessia no Atlântico, de Lisboa a Salvador da Bahia no Brasil !

This is my message to the national team with wishes for the lone sailor Ricardo Diniz, have a good crossing in the Atlantic from Lisbon to Salvador da Bahia in Brazil !

A caixa foi toda revestida em azulejos pintados à mão por Luís Cruz Guerreiro.
The box was completely covered in hand-painted tiles by Luis Cruz Guerreiro.

Todas as informações estão neste post / Full details are in this post:
http://azulejariaartisticaguerreiro.blogspot.pt/2014/09/ricardo-diniz-entregou-bandeira-e.html

O projeto o que concorreu aos prémios Lusos, website, garrafa, caixa com revestimento em azulejos e de comunicação nas redes sociais, ganhou o bronze na categoria campanha web. Bruno Galrito, um dos criativos da Wingman mandou-me esta boa notícia: "...ganhamos um bronze com o projecto, pelo que também estás de parabéns "
https://www.facebook.com/wingmanlabs?fref=ts
Fiquei muito contente com o video. Está muito bem feito.
Parabéns ao Bruno e à equipa da Wingman e à TAP por ter apoiado o projeto.

The project which contributed to Lusos prizes, website, bottle, box-coated tiles and communication in social networks, won bronze in the category web campaign. Bruno Galrito, one of the creative Wingman sent me this good news: "... won a bronze with the project and, therefore, you are to be congratulated"
https://www.facebook.com/wingmanlabs?fref=ts
I was very happy with the video. It is very well done.
Congratulations to Bruno and the team Wingman and TAP for supporting the project.


segunda-feira, setembro 29, 2014

Ricardo Diniz Entregou Bandeira e Garrafa à Seleção Nacional de Futebol !

Imagem
O navegador solitário, Ricardo Diniz, que na madrugada do passado dia 9 (horas de Lisboa) chegou a Salvador da Bahia, no termo de uma viagem a solo que durou 42 dias e 10 horas, concretizou hoje um dos grandes objectivos desta Expedição ‪#‎FlyTAP‬: a entrega à Selecção Nacional de uma Bandeira de Portugal (que esteve no mastro do veleiro) e de uma garrafa especial, contendo milhares de mensagens de apoio. A caixa foi toda revestida em azulejos pintados à mão por Luís Cruz Guerreiro.


Missão cumprida !


Parabéns a todos os que participaram neste projeto e ao herói Ricardo Diniz !

RICARDO DINIZ DELIVERED THE NATIONAL FLAG AND THE BOTTLE TO THE PORTUGUESE SELECTION !

The lone sailor, Ricardo Diniz, who on the morning of the 9th (hours from Lisbon) arrived in Salvador da Bahia, following a solo trip that lasted 42 days and 10 hours today fulfilled a major goal of this expedition ‪ # FlyTAP ‬: delivery to the National Team a Portugal flag (which was in the sailboat mast) and a special bottle, containing thousands of messages of support. The box was completely covered in hand-painted tiles by Luis Cruz Guerreiro.
Mission accomplished!
Congratulations to all who participated in this project and the hero Ricardo Diniz!

Links:
-A garrafa e a caixa. A garrafa que o navegador solitário leva a bordo é do Depósito da Marinha Grande e está acondicionada numa caixa de madeira maciça construída à medida pelas mãos de um artesão experiente e revestida de azulejo de figura avulsa pintado à mão por Luís Guerreiro, em que cada azulejo representa um elemento diferente da cultura portuguesa: http://mensagens.flytap.com/making-of.html

Entrega da caixa com a garrafa à Seleção Nacional , 16 de junho de 2014. Missão Terminada !
https://www.facebook.com/ricardodinizportugal/posts/663911123701283


Mensagem emocionante do nosso herói, Ricardo Diniz, quando avista já terras brasileiras:
http://www.lux.iol.pt/nacionais/ricardo-diniz-velejador-brasil-selecao-nacional-portugal-mundial-2014/1559802-4996.html


Filmes da Expedição do Ricardo Diniz:
#01-Filme oficial da partida, FlyTap: http://youtu.be/xxafNQbvxl0
#02-Ricardo Diniz(aventureiro dos mares) no Cá Estamos: http://youtu.be/EHSFQ7zf010


-Toda a equipa de produção:
Agência: http://www.wingman.pt/


Conceito e Design: Bruno Galrito
Desenvolvimento e programação: Peter Monte
Reprodução de Azulejos: Luis Cruz Guerreiro
Marceneiro: Félix
Produção: Silvia Dias e Pedro Pinto
Gestão de Facebook: Tanya Figueira
O histórico da ideia e a concretização da ideia da caixa revestida a azulejos, que contém uma garrafa feita na Marinha Grande, podem ser vistos na página de Bruno Galrito aqui: https://www.behance.net/gallery/16470521/Mensagem-de-apoio-a-Portugal


Uma grande equipa a que a Azulejaria Artística Guerreiro se juntou e se orgulha, por ter participado também neste projeto !




sexta-feira, maio 02, 2014

Painel de Restauro para a Igreja Matriz de Alhos Vedros

Painel de Restauro para a Igreja Matriz de Alhos Vedros.

A Igreja sofreu um restauro no interior e diversos Santos foram restaurados, entre eles o São Sebastião, que tem uma capela dedicada a ele, na Igreja de Alhos Vedros.
Algumas partes que cobriam as partes inferiores dos altares foram retiradas e descobertas algumas pinturas originais que estavam tapadas por coberturas de madeira que cobriam esses espaços.

Noutras não se encontrou debaixo nada de relevante e depois de retirada a cobertura em madeira, o espaço vazio ficou assim...

No caso da capela de São Sebastião, o padre Carlos sabiamente, quis que retomasse o azulejamento que reveste toda a capela, feito por um dos maiores pintores da arte da Azulejaria do séc. XVII em Portugal (...confirmarei posteriormente quem é o artista). 

O Padre Carlos, pediu-me para restaurar partes de azulejos que faltavam na Capela de São Sebastião, que é a primeira capela do lado direito quando se entra na Igreja Matriz de Alhos Vedros.
Detalhes:
O primeiro passo foi fotografar todas as partes que tinham de ser restauradas e refeitas. Foi um trabalho exaustivo porque toda a montagem das partes em falta foi feita na minha oficina e não na Igreja, devido a todas os azulejos terem de ser pintados na técnica de majólica (sobre vidrado crú), com vidrado de maneira a que se parecesse o máximo possível com o original. (*nota)
Foi como montar um puzzle gigante. Foram estes detalhes que mais tempo demoraram a ser feitos, porque tudo tinha de ficar certo quando fossem embutidos.
Os painéis laterais e central foram redesenhados de acordo com que também ficassem o mais parecidos com a pintura original.
 
O resultado final ficou assim:
Vista geral:
 
continua...
 

sexta-feira, abril 25, 2014

Painel 25 de Abril 20 Anos-Homenagem à Liberdade de Expressão

Painel de comemoração dos 20 anos da Revolução de Abril de 1974, feito por Luís Guerreiro, por desejo pessoal e de afirmação para com essa Revolução e a Liberdade de Expressão e de Informação então adquiridas.
Depois de algumas exposições e a tentativa de compra pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, que não se concretizou, foi adquirido pela CMM, pelo vereador da Cultura de então, José Manuel Figueiredo e colocado na Associação de Reformados da Baixa da Banheira, "O Norte", onde está até hoje.

Commemorating the 20th anniversary of the Revolution of April 1974 is a panel of tiles, made by Luis Guerreiro, by personal desire and affirmation towards this revolution and the Freedom of Expression and Information so acquired.
After some exhibitions and purchase attempt by the Municipality of  Vila Franca de Gaia, which never materialized, was acquired by CMM, by then Alderman of Culture, José Manuel Figueiredo and placed in the Association of Pensioners of Lower Bath of Alhos Vedros :) "Baixa da Banheira" in  "The North ", where it remains until today.

sábado, janeiro 05, 2013

Atual: Luís Cruz Guerreiro no Canal Brasil 12.12.12

Malditos Cartunistas:

No último episódio da temporada, uma viagem até o solo europeu. O desenhista português Luís Guerreiro inovou ao resolver montar uma azulejaria para fazer histórias em quadrinho.

Link #1: http://globotv.globo.com/canal-brasil/malditos-cartunistas/t/veja-tambem/v/quadrinhos-e-azulejos/2291352/

Link #2: http://canalbrasil.globo.com/programas/malditos-cartunistas/videos/2291352.html



O video foi posto no YouTube pelo camarada Livresco camarada do meu camarada Paulo Guinote, aos dois camaradas o meu obrigado camaradas !

Entrevista de António Tapadinhas a Luís Cruz Guerreiro no jornal "O RIO" - Azulejos que Contam Histórias

Publicado no jornal "O RIO", agora lamentávelmente extinto na sua edição digital como antes o tinha sido na edição em papel e em eu colaborei ativamente com duas coleções de cromos em azulejos. Ao seu diretor Brito Apolónia e a todos os seus colaboradores o meu agradecimento !
Este Blog irá publicar a divulgação que o RIO fez do meu trabalho e dos artistas que passaram pelos "Arquivos Guerreiro".

Cultura : Entrevista de António Tapadinhas a Luís Cruz Guerreiro ■ D´Arte – OUTRAS CONVERSAS | AZULEJOS QUE CONTAM HISTÓRIAS
em 2012/9/4 0:50:00
Por António Tapadinhas
Luís Cruz Guerreiro não deixa ninguém indiferente. É uma personalidade extrovertida, que tem opiniões e não tem receio de as dar, politicamente correctas ou nem por isso. É possuidor de um humor corrosivo, não inócuo, sempre atento ao seu país e às pessoas que o conduzem não se sabe bem para onde.
Azulejista e Autor de Histórias em Quadrinhos, como gosta de ser conhecido, tem a sua oficina em Alhos Vedros, na Rua Duarte Pacheco, n.º 4 e 6, website www.azulejariaguerreiro.com, e-mail azulejariaguerreiro@gmail.com.
A entrevista que realizámos com o artista no seu local de trabalho, como devem calcular, foi tudo, menos aborrecida ou enfadonha…


RIO - Começaste pela Banda Desenhada. O curso de pintura cerâmica que tiraste nas Caldas da Rainha foi a ponte que te fez regressar às origens, ligando as tuas duas paixões. Conta-nos como aconteceu o processo
A BD, (histórias em quadrinhos, como prefiro designar), faz parte integrante da minha vida desde que a descobri.
Toda a minha existência até aos 6 anos de idade se baseava nas brincadeiras com os meus vizinhos (quase todos ciganos), que viviam na travessa da Sociedade nº 43, um bairro operário à maneira dos bairros da Baixa da Banheira e Alhos Vedros que foram feitos para albergar famílias de migrantes que trabalhavam na indústria corticeira e na CUF... Os meus pais trabalharam na Corticeira Ibérica e na antiga fábrica do Valadão, que depois foi designada fábrica do banco e depois Silcorck.

O facto de ter tido uma poliomielite aos 16 meses, fez com que todas as manhãs fossem gastas em tratamentos no Hospital da Estefânia em Lisboa. Isso aconteceu diariamente até eu ter 12 anos.
No Hospital, porém, e apesar da tristeza com que lá ia e ainda pior a da minha mãe, devido aquele complexo de culpa que advém do sentido judaico-cristão inerente à nossa existência como portugueses... (Digo sofrimento, porque aquilo eram eletrochoques e massagens e raios ultra violetas, um sofrimento naturalmente já sempre esperado, mas muito perturbador...), houve um dia em que um rapaz mais velho que eu, deveria ter uns 10/12 anos, estava a ler uma revista, o "Mundo de Aventuras". Tinha um monte delas em cima duma cadeira. A felicidade de repente apareceu-me em forma de arte popular e comecei a apreciar ir a Lisboa porque todo um novo universo se tinha aberto de repente diante os meus olhos. Comecei a comprar revistas em bancas de alfarrabistas populares (aquelas verdes que existiam no Barreiro, e nos arcos da Praça do Comércio. Fiz novas amizades com a malta que trocava e me emprestava revistas e começou aí uma nova fase de vida mais social e recreativa (1974 a 1979), com verões inteiros no Cais Novo de Alhos Vedros a mergulhar e a apanhar caranguejos, que é até hoje o meu marisco preferido.
Agradeço tudo isto ao rapaz que me emprestou os "Mundo de Aventuras" no hospital da Estefânia!

As Caldas da Rainha surgiram na minha vida devido à crise de 1982/84. Tinha parado de estudar devido à minha inépcia para com a vertente que tinha optado, a Área de Saúde, que daria depois para seguir medicina nas suas várias nuances, por exemplo Enfermagem... Foi mau, porque não tenho a mínima vocação para tão nobres profissões e matemática nunca foi o meu forte, apesar de ser nos cadernos de matemática, físico-química e bioquímica do 9º ao 11º ano, que tenho os melhores desenhos desse começo dos anos 80 do séc. 20!

Em 1985, surgiu nas Caldas da Rainha um dos primeiros centros de formação profissional de Portugal: O CENCAL.
O Centro de Formação Profissional exclusivamente dedicado a todas as vertentes da indústria cerâmica era uma fábrica modelo que fazia desde as pastas cerâmicas, ao design das peças e a sua decoração. As cores e óxidos eram fabricados no sofisticado laboratório do CENCAL. Era uma fábrica modelo acabadinha de estrear com os melhores Mestres de todas as vertentes da Cerâmica que existiam no país, sendo que nessa altura as Caldas da Rainha eram um referencial da cerâmica nacional, de que resta atualmente a Faianças Bordallo, que felizmente foi salva "in-extremis" pelo Grupo Vista Alegre.
O que gostei mais no curso que tirei no CENCAL foi a azulejaria. As suas semelhanças com a BD/HQ são notórias. A narrativa, os elementos figurativos realistas. Tudo me pareceu similar com a vantagem de ser um elemento decorativo que podia ser usado em superfícies exteriores e interiores duma maneira quase eterna, devido à sua impermeabilidade!
Depois de concluído o curso, fiz um estágio numa fábrica de cerâmica na linha do Bordallo. Foi uma experiência interessante mas nada tinha de criativo. Aprendi como funciona um ambiente fabril, com as suas hierarquias e era o único homem que trabalhava na seção de pintura - o resto eram mulheres, com uma experiência de 7 a 20 anos nas técnicas específicas de pintura. A proporção de trabalho que elas produziam por dia era de 100 peças, por exemplo, duma travessa de espargos, para 4 mal pintados por mim...

Entretanto conheci o "Atelier Argila", que tinha inaugurado em 1986 e dedicava-se exclusivamente à reprodução de painéis dos séculos XVII/XVIII com as 4 cores base desse período, o Verde, o Amarelo, o Vinhático e o Azul. Comecei a trabalhar lá em "part-time" e aos sábados e domingos. Como o trabalho era muito e tempo de descanso era pouco, despedi-me das Faianças Belo e comecei a trabalhar a tempo inteiro, mas com um horário que eu elaborava. O Amilcar, dono do espaço dava-nos a possibilidade de escolhermos o horário, porque todos os artesãos tinham uma chave e faziam o trabalho com o ritmo e a qualidade que conseguissem. O meu ritmo de trabalho nunca foi grande, mas a qualidade superava esse pormenor. Os trabalhos eram primeiro assinados com as iniciais, mas depois o Amilcar descobriu que os clientes queriam o nome dos autores nas peças e começamos a assinar com o nome e a marca Atelier Argila começou a fazer sucesso. O ordenado que eu ganhava era o mesmo que nas Faianças Belo, 28 contos de reis... Dava à justa para pagar o quarto e a alimentação. Era o ordenado mínimo em 1987... Belos tempos!

RIO - Já alguém tinha tentado fazer BD (histórias em quadrinhos, como preferes) em azulejo?
Penso que não... Quando tinha uma gama de cores catalogada suficientemente lata, pensei: ora bem... isto já dá para fazer uma BD/HQ tipo "comic-book" em azulejos. Depois o Carlos Gonçalves tirou as fotografias, fiz o grafismo da revista, fui ao Rio de Janeiro e imprimi a primeira revista de Histórias em Quadrinhos de Ficção Ciêntífica em azulejos policromados. Antes, só nos Flintstones apareciam aquelas revistas em pedra, mas eram mais pesadas ainda.

RIO - Quais as dificuldades técnicas que encontraste e tiveste de ultrapassar?
Na arte final em azulejos e no grafismo digital foi tudo bastante fácil. A seleção de cores na gráfica foi mais difícil e não ficou exatamente como eu pretendia. Deveria ter usado um formato digital diferente e a gráfica deveria ter utilizado um corretor de brilho com melhor performance. As cores cerâmicas estão, como te disse, catalogadas e isso é fruto de experiências desde 1989 até agora, por isso não tenho nenhum problema em manter as cores de prancha/painel para prancha.
Todas as cores catalogadas da Azulejaria Guerreiro e os vidrados são segredos sagrados apenas revelados a iniciados. É tipo uma maçonaria cromática química onde só entram eleitos e que têm de passar por diversos testes para poder pintar aqui na minha azulejaria. O primeiro de todos é essencial, e quem não o passa não tem mais que uma oportunidade. Tens de desenhar uma mão na minha presença.
O objetivo supremo é atingir-se a alquimia, ou seja retirar ao Ouro o óxido. Como no óxido de cobre, se o cozeres numa atmosfera redutora, sem oxigénio, ele fica de novo cobre, com a prata é o mesmo, mas o Ouro não oxida. O problema está aí!

RIO - Fala-nos um pouco do que vai ser a saga completa de “Jerílio no Século 25”, 5 episódios, dos quais foi publicado o primeiro, que se chamou “Kron o Mercenário”.
5 Episódios, não é por acaso, nada é por acaso, O V Império não será um acaso, por isso 5 episódios. O Império da Lusofonia no contexto duma confederação Galática que abrange sistemas estelares, Arquistas, Anarquistas e Anomistas.
Episódio 1- O prelúdio da saga com a morte do príncipe que seria o sucessor do Imperador Zraquiano, que abrange 4 planetas do sistema Zrakiano com civilizações conhecidas... mas o sistema tem 9 planetas.
Episódio 2- O Imperador, que é eleito pelos quatro planetas da federação monárquica Zrakiana, tem a sua filha presa por Repto, o reptilóide, e o seu filho foi morto por Kron, o mercenário. O objetivo primeiro dele é salvar a filha e tornar a monarquia constitucional Zrakiana numa monarquia Absolutista sucessória.
Episódio 3- A meditação de Jerílio e o seu crescimento espiritual acontecem também por acaso, a descoberta de civilizações com níveis materiais que vão desde o etéreo à rocha mais dura provoca um conhecimento inesperado em Jerílio, que, através do Cristal do Tempo, descobre que afinal é um humanóide de um planeta que está situado no sistema solar, o planeta Terra.
Episódio 4- A Anomia que se vive no antigo sistema monárquico Zrakiano, transforma-se em Arquias, Anarquias e Planetas Religiosos mono e politeístas...
Episódio 5- A Terra 2500 depois de Cristo - todas as fases de desenvolvimento desde o primeiro contacto com os alienígenas da Confederação Galática em 2015 e a instauração dum regime vigiado pela CG, em que durante 500 anos não é permitido o dinheiro, provoca um desenvolvimento acelerado no planeta Terra. A solução para os Arquistas é a construção de Cidades Flutuantes que orbitam a Terra, onde a lei não é tão exigente a partir de 2222. Em 2500 faltam 50 anos para que o regime cesse. Tudo poderá então acontecer. O elemento memória é aqui o mais importante (A memória coletiva dum ser ou duma galáxia ou do universo é um conceito que tenho sobre Deus).

RIO - Vejo que já tens o poster em azulejo do segundo episódio, com o título “Objetivo Asteroide – REPTO”. Quer dizer que já completaste as pranchas que compõem a história?
A fase de desenho está quase completa, depois falta a Arte Final em azulejo policromado.

RIO - Para lá das diversas mostras dos teus trabalhos no Brasil, sei que fizeste uma História em Quadrinhos para a revista carioca "Tarja Preta" com o Capitão Bacalhau e o Capitão Presença de Arnaldo Branco. Queres desvendar-nos um pouco da história?
Quando fui buscar as revistas no Rio de Janeiro, fiquei hospedado na casa do Eduardo Souza Lima, o editor da revista carioca "Zé Pereira" e ele levou-nos a conhecer a loja do Matias Maxx, que é especializada em História em Quadrinhos, levei a capa em azulejos do Jerílio para lhe mostrar e ele ficou maluco com a ideia da possibilidade de se fazer BD/HQ em azulejos. Deixei-lhe algumas revistas para ele vender na sua loja e fui convidado a participar no n.º 7 da revista "Tarja Preta" que saiu com 182 páginas.
O Matias Maxx é um ativista da legalização da canabis no Brasil e o Arnaldo Branco criou um super anti-herói que é a cara do Matias Maxx e permite a outros desenhadores que utilizem essa personagem, desde que seja citado que ele é o criador do Capitão Presença. Usei a personagem como acompanhante do Capitão Bacalhau, que é uma criação minha. O Capitão Bacalhau é ele também um super anti-herói, mas, ao contrário do Capitão Presença, o Capitão Bacalhau é um ativista da liberalização da importação de vinhos portugueses para o Brasil, é por isso uma sátira.
(O preço que é cobrado pelos vinhos portugueses no Brasil é exorbitante, devido às taxas absurdas que o governo brasileiro impõe a esse produto de primeira necessidade, que é o vinho português, o melhor do Mundo na minha opinião. Essas taxas não são cobradas à Argentina e ao Chile porque pertencem ao Mercosul... mas os vinhos Argentinos e Chilenos são monoculturas e a alma do vinho português é as misturas de castas que o transforma em néctares sempre diferentes, que variam de região para região e de fabricante para fabricante em cada uma das nossas múltiplas regiões vitivinícolas).

RIO - Tens sido reconhecido nacional e internacionalmente como um artesão e, mais do que isso, como um artista inovador a diversos níveis. Qual o trabalho que gostarias de fazer para que o Concelho da Moita ficasse no panorama artístico da Azulejaria?
Gostaria que a Câmara Municipal da Moita usasse na toponímia do concelho o azulejo, como foi utilizado no Largo Conde Ferreira, na Moita, na Praça da República e no Largo da Misericórdia de Alhos Vedros, por exemplo. A durabilidade é garantida e as cores do município seriam usadas, o que traria uma mais valia estética e uma diversidade policromática que contrastaria com a uniformidade do uso das placas toponímicas em mármore.
Outra ideia seria a CMM permitir que o uso de painéis de azulejo personalizados pudessem ser utilizados como pedras tumulares do cemitério municipal para que houvesse a possibilidade de escolha entre o mármore e o azulejo. A durabilidade e montagem dos painéis em cimento armado são similares à durabilidade do mármore ou pedra, a impermeabilização é garantida e os preços seriam praticamente os mesmos praticados pelos marmoristas.
Durante alguns anos tanto a CMM como a Junta de Freguesia de Alhos Vedros e algumas coletividades e associações ofereceram azulejos individuais ou mesmo pequenos painéis de 2 ou 4 azulejos como prémios em eventos de vária ordem. Senti com pesar a perda desta tradição e a opção por outro tipo de materiais entre os quais a pirogravura. Essa descontinuidade na oferta de azulejos por estas entidades representou uma grande quebra de encomendas o que tornou ainda mais difícil a minha profissão.

Felizmente a página que publiquei na Internet e a publicidade no Google Adwords -, colmatou essa quebra porque tornou global o meu trabalho e, atualmente, recebo encomendas de todas as partes de Portugal, sendo que o Brasil está-se a tornar um bom mercado para a azulejaria clássica da Azulejaria Artística Guerreiro e será quiçá o próximo passo da Azulejaria Guerreiro a passagem da oficina de Alhos Vedros- PT, para Ribeirão Preto, SP-BR.
Portugal perde um artista mas o Brasil ganha um cidadão e eu recupero uma Pátria que fala português e onde me sinto tão ou mais português do que aqui na minha Pátria perdida entre estas pseudo uniões e, quiçá, federações europeístas com que não me identifico. Como dizia Fernando Pessoa, que depois foi cantado pelo Caetano Veloso, "A Minha Pátria é a Minha Língua", sejamos Imperialistas da Lusofonia então!

Esta foi a entrevista mais politicamente correta que consegui para "O RIO"; agradeço ao António Tapadinhas ao Brito Apolónia e aos leitores deste jornal de referência que tiveram a paciência de a ler. Obrigado.

Luís Cruz Guerreiro com estas últimas palavras poupou-nos o trabalho de fechar esta entrevista, porque já lá tem a folha de ouro que não oxida: a amizade e o reconhecimento devidos a todos os que, pelo seu trabalho, tornam o nosso país um local mais digno para se viver!
Então, que viva o Império da Lusofonia!

Nota António Tapadinhas opta por escrever na ortografia antiga

A entrevista no RIO pode ser vista aqui: http://www.orio.pt/modules/news/article.php?storyid=12072